500 passos

Zero passos: ginjeira do meu quintal a anunciar o outono.

Zero passos: ginjeira do meu quintal a anunciar o outono.


Possivelmente, todos se lembram do jogo “Minha mãe, dá licença?”, a que se seguia a pergunta “Quantos passos?”.
Como a mãe aqui sou eu, dei-me licença para o jogar sozinha, de uma forma diferente. O desafio é fotografar tudo o que encontro num raio de 500 passos a partir do meu quintal. Porque, onde quer que eu vá, seja em direção ao miolo da aldeia ou ao topo dos montes, há sempre algo novo para registar: um novo ângulo, a mudança desencadeada pelo lento desenrolar das estações, a luz que tudo transforma, algo que foi acrescentado ou destruído, o que se mantém imutável através do tempo.

Quinhentos passos, contados com a exatidão possível do pedómetro, traçam o limite para o desafio ser maior: o de mostrar todo o universo possível neste pequeno espaço. Aos poucos, quero ir contando a história da aldeia, das pessoas, das hortas habitadas e das casas em ruínas, da paisagem em constante mutação.

É um trabalho que irá surgindo, ao ritmo do tempo e da vontade, mas que me fará olhar as coisas com outra perspectiva, ir ao encontro tanto das novidades como das pedras gastas e assim procurar o fio condutor que ajude a tricotar esta ideia.

Para já, ficam as imagens captadas nas últimas duas semanas, enquanto o outono se vai instalando, lentamente, passo a passo.

O mesmo freixo; várias perspetivas.

O mesmo freixo; várias perspetivas.

Não são resquícios de Halloween nem marcas de bruxaria; são as marcações dos limites da freguesia.

Não são resquícios de Halloween nem marcas de bruxaria; são as marcações dos limites da freguesia.

Bétula: plantámos uma no Nordeste Transmontano

Ser freelance é isto mesmo: não ficar quieto, adaptar-se, saber reinventar-se. Em boa verdade, a inconstância está para o freelance como a estepe está para o nómada mongol: é a essência do seu modo de vida.

Quando dei início à atividade de repórter, há quase 21 anos, fi-lo precisamente nessa qualidade, assumindo a imprevisibilidade inerente à ausência de um vínculo contratual com uma entidade empregadora/pagadora – um rendimento regular, portanto. Na altura, o mundo editorial crescia de forma tão vigorosa que até achámos boa ideia fazer isto a dois; e assim, (em boa hora, há que dizer) a Ana saltou para o mesmo barco... um barco sem GPS, sem sondas, sem radar - um barco onde apenas se podia navegar à vista.

Anos mais tarde, valeu-nos a experiência de centenas de reportagens entretanto publicadas para dar início a uma nova fase: a partilha de conhecimentos através da realização de workshops e passeios fotográficos. Vivia-se então o boom da fotografia digital, com uma procura inédita de experiência – e experiências – nesta área.

A mudança para Bragança, em 2010, manteve o registo formativo e lúdico dessas atividades, mas também abriu a porta a projetos fotográficos e editoriais de outra envergadura... e a vontade de fazer cada vez mais atividades ligadas à região.

E assim nasceram, mais recentemente, os passeios Saída à Medida: variados, personalizados e adaptados à sazonalidade vincada que aqui se faz sentir. Já não nos dirigimos apenas aos que gostam de fotografia, mas a todos aqueles que apreciam a vida ao ar livre e procuram uma experiência mais profunda e enriquecedora - “casais, famílias ou amigos, apaixonados pela natureza e pela vida selvagem, por uma caminhada na neve ou um simples mergulho em águas límpidas”,  tal como anunciamos nos postais promocionais, cujas faces podem ver ao longo deste post.

Achamos, por isso, que é altura de separar o que será sempre inseparável: o fotógrafo António Sá e a autora de textos Ana Pedrosa – que continuarão a existir como tal – das atividades mais vocacionadas para o turismo da natureza, como são as Saídas à Medida e outras que entretanto estamos a preparar. A partir de agora, estas últimas aparecerão sob o nome BÉTULA (marca registada no INPI), com uma identidade gráfica criada pelo reconhecido atelier R2 Design, dos nossos amigos Artur Rebelo e Lizá Ramalho.

Mas bétula é, antes de tudo, uma árvore.
Uma árvore esbelta, de silhueta simples, depurada, com a particularidade de apresentar um tronco branco com tracinhos escuros e uma roupagem distintamente bela em cada uma das estações do ano.

As bétulas têm uma aparência delicada mas são muito resistentes; são árvores de altitude, dão-se bem com a neve e o frio das montanhas, e gostam das latitudes setentrionais ainda acima do círculo polar ártico, até onde a tundra não as deixa mais seguir caminho – nem a qualquer outra árvore, de resto. As bétulas existem em Montalegre, em Montesinho, aqui ao lado em Sanábria, na Islândia e na Noruega, onde se chamam bjørk – que é também uma voz que gostamos desde o tempo dos Sugar Cubes. Elas povoam os sítios que mais nos inspiram - da nossa imaginação ao nosso jardim.  

BÉTULA simboliza o espírito que procuramos incutir na nossa própria vida e naquilo que fazemos: simplicidade, tenacidade, sazonalidade.

E agora que a plantámos, queremos partilhar o seu crescimento e multiplicação com todos aqueles que procuram as coisas boas da vida.

Porque melhor que uma bela árvore... é um bosque inteiro a perder de vista. 

Latvija

“Tem cuidado com o que desejas” - durante dias carreguei a frase, num misto de culpa e alegria. O marido, atento aos meus pedidos, tinha-me oferecido uma viagem. Ou antes, uma cilada. Porque isto de nos darem o mundo pode ser tão ilusório como nos prometerem a lua.
“Escolhe um sítio passar as férias da Páscoa, sozinha ou em família” – a prenda, sem embrulhos nem laços, foi lançada durante uma pausa para o café. Vinha acompanhada de um discurso sobre a minha necessidade de descansar, mas também de arejar, mudar de vistas.

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Parte da questão ficou resolvida na hora. Porque, se muitas vezes reclamo e sonho com dias de absoluta liberdade, não me passa pela cabeça fazer férias sem o resto da família; pelo contrário, quero viajar o mais possível com os meus filhos, enquanto não voam do ninho com outras companhias.

Mas a escolha do destino revelou-se tão difícil como estar perante um bufete de sobremesas. Não é que faltassem ideias, mas se umas encalhavam na distância e no orçamento, outras iam sendo abandonadas por razões várias. Houve uma altura em que, cansada de aventar e descartar hipóteses, pensei desistir. Já quase tinha deixado de pensar nisso, quando acordei uma manhã com uma palavra na cabeça: Riga.

“Porquê Riga?”, perguntou a minha filha, quando dias depois lhes comunicámos o próximo destino. “Porque não?”, respondi. A verdade é que, se há muito tinha tido vontade de conhecer os países bálticos, nunca me tinha debruçado sobre um em particular e pouco sabia, além de algumas leituras dispersas.

Mas quanto mais investigava sobre a Letónia, mais entusiasmada ficava. Além de ser um destino novo para todos, agradava-me a descrição de uma capital que mistura influências europeias com traços da cultura soviética, económica q.b., turística q.b.. Fiquei cheia de vontade de provar seiva de bétula, kvass (refrigerante feito de pão fermentado) e os queijos apetitosos que via nas fotografias. Fiz planos para visitar as igrejas ortodoxas, descansar em cafezinhos acolhedores, passear pelos quarteirões com casas em madeira, perder-me nas vielas medievais de Riga.

Depois de reservados os bilhetes, fiz figas para que a neve se mantivesse até finais de março, para que os miúdos pudessem experimentar snowboard ou esqui nórdico no Parque Nacional de Gauja. Entretanto, aprendi que, na Páscoa, os letões usam baloiços porque acreditam que isso os impede de serem picados pelos mosquitos durante o verão. Soube que 40% da área do país é constituída por floresta, vi imagens belíssimas do outono, desejei voltar lá ainda antes de ter partido.

Quebrei a promessa de ficarmos alojados bem no centro, depois de me apaixonar por um apartamento na margem esquerda do rio, no meio de ruas decadentes, casas de madeira em ruínas, junto a um mercado onde o tempo parece ter parado nos anos 70, senão antes.

O nosso refúgio. Decadente por fora...

O nosso refúgio. Decadente por fora...

... cheio de charme por dentro.

... cheio de charme por dentro.

Hoje, de regresso a casa, sei que os desejos se cumpriram. Tivemos seis dias sem chuva, mas a sorte de ver cair alguns flocos de neve. Visitámos igrejas, cafés e mercados. Fizemos snowboard e esqui, cruzámos bosques e rios de bicicleta. Provámos tudo de que tínhamos ouvido falar, adorámos o bairro onde ficámos, experimentámos toda a simpatia e frieza de que os letões são capazes.

Uma viagem perfeita? Claro que não, mas se assim fosse também não tinha graça nenhuma. Desta forma fica sempre a vontade de regressar.

 

 

Ode ao inverno

Todos os invernos regresso a Sanábria.
Ou talvez sejam os invernos de Sanábria que regressam a mim.

Há algo de profundamente belo naquelas montanhas. Como se a alma dos glaciares há milhares de anos desaparecidos perdurasse no vento gélido que varre as encostas - e em toda a neve que as transfigura da noite para o dia.
Atravessar a brancura com vento forte e o gelo a fustigar a cara é uma boa forma de sentirmos na pele este pedaço de norte, que nalguns dias parece querer imitar o ártico. Não se percebe onde acaba a montanha e começa o céu; é tudo um grande lençol indistinto, sem sombras nem escala, sem tempo nem distância. Uma redoma invisível, capaz de nos isolar do resto do mundo mesmo quando estamos acompanhados. Ou assim o sinto.

Mais abaixo, no fundo do vale, o lago.
É o testemunho líquido da antiga massa de gelo, mas com um temperamento mais inconstante, ditado pela ventisca, a corrente de ar lancinante que tem o raro dom de poder soprar na vertical... ou quase.
Em dias assim, as ondas encrespadas estalam repetidamente nos amieiros e no granito da praia, antes de serenarem na fluidez do Tera, que se escapa daqui num murmúrio distante, abafado pelos carvalhais.

Em ambas as margens acompanham-no quase sempre caminhos, talhados no solo por pescadores, pastores ou mais pesados tratores. E neles surgem ervas despenteadas, poças encharcadas e tufos de cristas douradas. 

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E depois disto, as aldeias: escassas, desertas, ligadas por estradas ainda mais escassas e mais desertas. E tanto pior quando os aguaceiros de inverno se abatem nestas terras... como em San Ciprián, no final do caminho. Ou em Escuredo, a meio caminho de lado nenhum. Os dois últimos habitantes abandonaram-na há igual número de anos. Ficou um gato, que guardei em fotos. 
Estrada fora, já do outro lado da montanha, Truchilas segue-lhe a sina. E mais adiante será Truchas, onde a gasolinera serve agora de bar, loja e centro social.

Tomo um solo, corto, bem quente. Quatro homens jogam às cartas.
Parte da estrada tinha neve. E está frio lá fora. Ninguém sabe se se passa para Ponferrada. O limpa-neves já não passa aí. E as ruas estão vazias. E a reta para Castrocontrigo também.
Parece um filme, algures entre a poesia de Malick e o insólito dos Coen.

É o Inverno em Sanábria.
Como se num sonho eu vagueasse.

Adenda: No início de fevereiro, levei um grupo de fotógrafos para conhecerem a região. O seu olhar sobre a região pode ser visto aqui.

Mandem-me passear

Copenhaga, 21 de dezembro, 2014. No dia mais curto do ano, a escuridão e uma chuva sem tréguas empurrou-nos para dentro de portas mais cedo do que o habitual. Aproveitando para desfrutar a casa acolhedora (viva o airbnb!), e imbuídos de espírito nórdico, acendemos a salamandra, espalhámos velas pela sala e bolinhos pela mesa, enquanto aquecíamos leite com chocolate e glögg (vinho com especiarias).
Pela janela víamos luzes natalícias a iluminarem jardins e o interior das casas, e admirávamos o frenesim silencioso de bicicletas em hora de ponta.

Foi então, a meio da conversa, que pedi atenção aos meus filhos para ouvirem um conselho importante, aquele que deveriam reter para o resto da vida se só pudessem guardar um aviso feito por mim. Fez-se silêncio enquanto aguardavam a revelação.

“Sempre que me virem irritada, triste, esgotada... mandem-me passear.”
“Se eu gritar, mandem-me passear. Se perder a paciência... mandem-me passear. Se estiver num canto, calada e cansada... mandem-me passar. Arranjem-me um bilhete de avião, de autocarro, tirem-me de casa. Prometo que farei o mesmo com cada um de vocês. Hei de mandar-vos passear sempre que puder. Porque esse é o remédio mais eficaz que conheço."
É claro que nos minutos, horas e dias seguintes passei a ouvir com muita frequência, “Mãe... vai passear", com um sorriso cúmplice e malandro.

Brincadeiras à parte, a verdade é que tenho consciência de que somos todos mais felizes quando estamos fora de casa. Mais unidos como família, como pais, como irmãos. Conversamos mais, aprendemos mais uns sobre os outros, rimos mais, construímos pontes e cumplicidades, inventamos jogos, criamos memórias.

Mesmo antes das crianças nascerem foi sempre em viagem que tomámos as grandes decisões da nossa vida: mudar de emprego e de vida, ter filhos, fazer uma viagem longa, avançar com este ou aquele projeto. Fora de casa e das rotinas, a mente fica mais solta e as ideias mais límpidas. Por isso as nossas reuniões de trabalho são sempre ao ar livre; dantes a caminhar junto ao mar, agora a deambular pelos bosques.


No singular ou no plural, a cada dia sinto uma maior urgência de conjugar o verbo passear. Seja viajar para destinos distantes, sair para uma incursão de poucos dias ou descobrir um novo trilho na vizinhança.
Querem ver-me feliz? Mandem-me passear.

Quanto à prole, subscrevo na íntegra as palavras de José Luís Peixoto: “Aquilo que quero deixar aos meus filhos são viagens. Como outros acumulam imobiliário e bens, quero que sejam capazes de acumular momentos e lugares onde estivemos vivos e juntos. Essa será a fortuna que partilharemos”.

Grande Pássaro de Ferro Volta aos Territórios do Norte

Alguma vez sentiu que em muito pouco tempo e distância viajou a uma realidade completamente diferente?
O caso mais marcante que me aconteceu foi precisamente numa viagem de avião entre Lisboa e Bragança, no inverno de 2011 (a foto acima foi captada nesse mesmo voo). Em apenas 80 minutos passei dos 15ºC de uma soalheira Lisboa à aterragem pouco acima dos 0ºC, entre as montanhas nevadas do Nordeste Transmontano. Para quem gosta da adrenalina própria dos Great Outdoors - como chamam os britânicos a tudo que fica para norte da Muralha de Adriano - não há melhor elixir.
As nuances do nevoeiro a revelar ou a esconder uma paisagem misteriosa. Imensos carvalhais cobertos de líquenes. O murmurar distante de uma queda-de-água. Flocos gelados que nos beliscam a cara.

Estar vivo é isto.
Não podemos parar o tempo, nem fazê-lo andar mais devagar, mas estes momentos são os que mais se aproximam dessa ideia.
No momento em que escrevo estas linhas, estão 2ºC aqui em Bragança e uma chuva com gelo à mistura. Em Lisboa, a realidade é de 12ºC e céu pouco nublado. Se me meter no carro durante 15 minutos, até à serra da Nogueira, sei que estará a nevar... e o mesmo em Sanábria, com mais uns 45 minutos de viagem.

O silêncio... o bosque... a neve. O tempo parou.

O silêncio... o bosque... a neve. O tempo parou.

Não é o Alasca, nem a Noruega, mas nesta região também há lobos, ursos, veados, bosques, rios e montanhas. É o nosso próprio Grande Norte... igualmente belo e surpreendente, mas bem mais fácil de alcançar, agora também de avião desde o extremo sul de Portugal.

Em 2016 desejamos, por isso, mais descobertas, mais aventuras... mais tempo de qualidade.
Se pudermos ajudar no objetivo, tanto melhor.
Encontre as nossas propostas em AGENDA e TOURS neste mesmo site.
aqui ficam também os Horários de voos.

Bom Ano!

Serra da Nogueira, ontem cerca das 12h00. Ambas imagens com Fuji X-10.

Serra da Nogueira, ontem cerca das 12h00. Ambas imagens com Fuji X-10.

Sinergias Renováveis

Imagem obtida com uma compacta Fuji X-10, deslocando-a num movimento vertical com velocidade de obturador lenta.

Imagem obtida com uma compacta Fuji X-10, deslocando-a num movimento vertical com velocidade de obturador lenta.

Agora que o Natal está aí à porta, e no cabaz de presentes surgirão seguramente ideias de câmaras fotográficas, objetivas ou qualquer outro equipamento relacionado com a imagem, importa repensar aquilo que fazemos com estas fantásticas ferramentas.

Da minha experiência nos passeios fotográficos e nos workshops, continuo a verificar, com certa pena, que o equipamento é ainda uma barreira limitadora para muitas pessoas. Muitas vezes, não há nada de errado com a câmara, nem tão-pouco com o fotógrafo; é apenas uma daquelas situações em que o diálogo entre um e outro não acontece porque a escolha da câmara não foi a melhor ou porque o fotógrafo não dedicou tempo suficiente a conhecer o seu funcionamento. E como sem diálogo não há magia, os resultados teimam em ficar aquém das expectativas.
Mas as boas surpresas também acontecem. Quando um grupo de pessoas com o mesmo gosto pela fotografia se junta num local inspirador, há uma espécie de energia positiva que propicia os resultados – mesmo por parte daqueles que não estavam à espera de ver algo extraordinário aparecer no ecrã da sua máquina. Isto não tem nada de místico... mais do que energia, é sinergia.

A beleza da criatividade: um dos participantes faz uma fotografia sobre a mesma rocha que serviu de primeiro plano à imagem de outro fotógrafo. Esta última pode ser vista nas primeiras páginas do link Outono em Montesinho, indicado abaixo.

A beleza da criatividade: um dos participantes faz uma fotografia sobre a mesma rocha que serviu de primeiro plano à imagem de outro fotógrafo. Esta última pode ser vista nas primeiras páginas do link Outono em Montesinho, indicado abaixo.

De repente, tudo passa a fazer sentido: as aberturas e as velocidades, o equilíbrio de brancos e a compensação da exposição, a escolha de uma grande-angular, uma macro ou um tripé. E se dúvidas houvesse, vejam a pequena seleção que saiu do último Outono em Montesinho

Se há coisa que me dá prazer nestes passeios, é partilhar com os participantes as minhas últimas descobertas. Raramente me acomodo àquilo que conheço de um certo local, porque estou bem consciente que a novidade é o melhor catalisador da criatividade. Por isso, continuo a achar que vale a pena percorrer uns bons quilómetros nas vésperas de cada passeio, em busca de bons locais e boas oportunidades para depois os dar a conhecer a outros olhares. Cada cogumelo, cada curva de rio, cada lameiro onde o gelo se forma contam para uma fotografia verdadeiramente original – porque não há dois outonos, dois invernos, duas primaveras ou dois verões exatamente iguais.

Descobri este belo bosque num dia de chuva, pouco antes da data do passeio. Para garantir o mesmo tipo de oportunidades, comecei precisamente por esta zona, naquilo que se veio a confirmar como o nosso único dia com luz difusa e alguma chuva.

Descobri este belo bosque num dia de chuva, pouco antes da data do passeio. Para garantir o mesmo tipo de oportunidades, comecei precisamente por esta zona, naquilo que se veio a confirmar como o nosso único dia com luz difusa e alguma chuva.

Em resumo: tudo o que precisa para se sentir realizado na arte fotográfica é uma câmara bem ajustada ao seu estilo – mais ou menos hi-tec, mais ou menos leve - e sítios suficientemente estimulantes para dar asas à criatividade. A primeira parte está sobretudo nas suas mãos; quanto à segunda, prometo continuar a dar uma ajuda.

Veja as próximas propostas no programa de inverno e na agenda.

Feliz Natal e Bom Ano

Navia | France

© Navia

© Navia

Às vezes, há pessoas que dizem tão bem as coisas que não é preciso acrescentar mais nada.
A propósito da sua mensagem de solidariedade com amigos e colegas franceses, partilho convosco a imagem que este fim de semana recebi de José Manuel Navia. Um excelente fotógrafo e ainda melhor pessoa, que tenho a sorte de um dia ter encontrado no caminho.

Obrigado, Navia.